Desde que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que o Brasil entraria na sua mira com tarifas de importação, o cenário político brasileiro se dividiu. Em parte, discutindo o que muitos consideraram um ataque à soberania nacional na carta de anúncio das tarifas. Ao mesmo tempo, estimando o prejuízo para empresas brasileiras e desenhando um plano para mitigar os impactos.
É verdade que as tarifas entraram em vigor na última terça-feira (06/08) com aproximadamente 700 exceções. Mas isso não poupou setores importantes de nossa economia, especialmente o agro. Levando em conta o reequilíbrio global, o impacto no PIB até parece pequeno: 0,1 ponto percentual. Mas isso pode significar até 150 mil empregos a menos em 2 anos.
Em sua carta, Trump coloca uma “longa e muito injusta relação comercial gerada pelas tarifas e barreiras tarifárias e não tarifárias do Brasil” como um dos motivos para a decisão. Contudo, a tarifação média que o Brasil aplica a bens importados dos Estados Unidos ficou em 5,5% em 2024, segundo dados da OMC (Organização Mundial do Comércio). Além disso, a balança comercial brasileira marca déficit desde 2009.
Sobra, portanto, o elemento político, apontado por muitos como uma ingerência americana nos assuntos internos do Brasil. Ao mencionar o ex-presidente Jair Bolsonaro, conhecido aliado de Trump e atualmente réu por tentativa de golpe de estado, o presidente americano diz:
“A forma como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato, inclusive pelos Estados Unidos, é uma vergonha internacional. Esse julgamento não deveria estar ocorrendo. É uma caça às bruxas que deve acabar IMEDIATAMENTE!”
Em sessão solene de comemoração aos 80 anos do Instituto Rio Branco, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse que “o julgamento da tentativa de golpe de estado está respeitando todo o devido processo legal” e a “nossa soberania não é moeda de troca diante de exigências inaceitáveis”. E mesmo que os Estados Unidos tenham colocado aeronaves, veículos, eletrônicos, suco de laranja e fertilizantes em sua lista de exceções antes mesmo do “tarifaço” entrar em vigor, não houve acordo.
O Brasil apresentou questionamentos aos EUA na OMC, buscando assim uma solução negociada para o impasse. Ao mesmo tempo, o governo brasileiro trabalha em alternativas para encarar as tarifas.
Com expectativa de divulgação na terça-feira (12/08), o plano deve trazer propostas como a compra do excedente de produção que deveria ser exportado aos EUA pelos estados. Outro ponto importante do plano é a abertura de linhas de crédito para renegociação de dívidas do agro.
Com 40% do couro brasileiro indo para a exportação, o setor de calçados também deve ter linhas de crédito e o direito a flexibilizar contratos de trabalho, a fim de evitar demissões.
Empresas diretamente afetadas precisam se organizar, otimizar operações e buscar os pacotes de auxílio tão logo eles passem a vigorar. Conformidade jurídica é essencial para agilizar tais processos. Entre em contato com nossos especialistas e saiba mais.
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